Fábio Takahashi
A obra distribuída nas escolas com uma coletânea de poesias, tem frases como "Nunca ame ninguém. Estupre"Clipping Educacional - Folha de São Paulo (27.05.2009)
Um livro destinado a adolescentes foi distribuído a crianças de 9 anos pelo programa 'Ler e Escrever', do governo do estado de São Paulo. A Secretaria de Educação do governo do estado determinou o recolhimento de todos os exemplares, que tinham chegado às escolas da rede pública há 15 dias.
Volume faz parte do mesmo programa da rede estadual de ensino que teve um livro recolhido por conter palavrão e conotação sexual.
O livro que governo de São Paulo enviou a alunos de terceira série (faixa etária de nove anos) tinha frases como "nunca ame ninguém. Estupre".
A coletânea de poesias faz parte do mesmo programa de melhoria da alfabetização que teve um livro recolhido por conter palavrões e expressões de conotação sexual: "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", também distribuída para a terceira série.
A nova obra, "Poesia do Dia -Poetas de Hoje para Leitores de Agora", foi enviada às escolas há cerca de duas semanas para ser usada como material de apoio. Foram distribuídos 1.333 exemplares.
"Não é para crianças de nove anos. São várias ironias, que elas não entendem", afirmou o escritor Joca Reiners Terron, autor do poema mais criticado por professores da rede, chamado "Manual de Auto-Ajuda para Supervilões".
Alguns dos versos são "Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto"; e "Odeie. Assim, por esporte". Outra poesia, 'Perdido nas cidades', tem um trecho que fala de um esquimó; 'Meu amigo esquimó nunca me deixa só. E, quando estou prestes a congelar, ele mija em cima de mim'.
"Espero que o Serra [governador José Serra] não ache o texto um horror, como ele disse do outro livro. Horror é quem escolhe essas obras para crianças", disse Terron.
Em nota, a direção da Abril Educação (responsável pela Ática) afirma que o livro é recomendado para adolescentes de 13 anos, "indicação reforçada na contracapa, na apresentação e no suplemento ao professor".
Após questionamento da Folha, a Secretaria da Educação da gestão José Serra (PSDB) decidiu ontem retirar os livros das salas de aula. Os exemplares, no entanto, permanecerão nas escolas, para consulta de alunos mais velhos.
O entendimento é que os assuntos do poema devem ser abordados na escola, mas com supervisão de um especialista.
A secretaria não esclareceu como é feita a escolha dos livros. A sindicância aberta para apurar o caso do outro livro ainda não foi concluída.
Críticas
Professor da Faculdade de Educação da USP, Vitor Paro afirma que a escolha do livro para crianças de nove anos "é produto da incompetência e ignorância do governo".
"Por que os livros só foram retirados após o jornalista questionar? A análise não deveria ter sido feita antes?", diz.
A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo, classifica como "um horror" o poema. "Tem uma ironia que talvez só o adulto entenda. É totalmente desnecessário para uma escola."
"Já é o segundo caso. Os professores ficam inseguros com o material", disse ela.Em uma semana foram detectados dois problemas graves. Da primeira vez, um livro com tiras e charges de conteúdo adulto, discriminatório, cheio de rótulos preconcentuosos e linguagem ambígua, além de inadequada. Agora esse livro de poesia, com um conjunto de preconceitos embutidos num único poema, além de incitação à violência, afirmou a professora .
Segundo a educadora, há duas preocupações nos sucessivos casos de erro em livros distribuídos a alunos da rede pública.
- A primeira é se há profissionais com qualificação para fazer essa seleção. Os livros selecionados parecem ter passado apenas pelo crivo de 'compradores'. A segunda, que tenho notado, é que os professores agora estão em estado de alerta, além de inseguros. Cabe a eles uma nova atribuição nesse momento, o de revisar um material que já deveria estar revisado.
fonte:http://e-educador.com
Volume faz parte do mesmo programa da rede estadual de ensino que teve um livro recolhido por conter palavrão e conotação sexual.
O livro que governo de São Paulo enviou a alunos de terceira série (faixa etária de nove anos) tinha frases como "nunca ame ninguém. Estupre".
A coletânea de poesias faz parte do mesmo programa de melhoria da alfabetização que teve um livro recolhido por conter palavrões e expressões de conotação sexual: "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", também distribuída para a terceira série.
A nova obra, "Poesia do Dia -Poetas de Hoje para Leitores de Agora", foi enviada às escolas há cerca de duas semanas para ser usada como material de apoio. Foram distribuídos 1.333 exemplares.
"Não é para crianças de nove anos. São várias ironias, que elas não entendem", afirmou o escritor Joca Reiners Terron, autor do poema mais criticado por professores da rede, chamado "Manual de Auto-Ajuda para Supervilões".
Alguns dos versos são "Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto"; e "Odeie. Assim, por esporte". Outra poesia, 'Perdido nas cidades', tem um trecho que fala de um esquimó; 'Meu amigo esquimó nunca me deixa só. E, quando estou prestes a congelar, ele mija em cima de mim'.
"Espero que o Serra [governador José Serra] não ache o texto um horror, como ele disse do outro livro. Horror é quem escolhe essas obras para crianças", disse Terron.
Em nota, a direção da Abril Educação (responsável pela Ática) afirma que o livro é recomendado para adolescentes de 13 anos, "indicação reforçada na contracapa, na apresentação e no suplemento ao professor".
Após questionamento da Folha, a Secretaria da Educação da gestão José Serra (PSDB) decidiu ontem retirar os livros das salas de aula. Os exemplares, no entanto, permanecerão nas escolas, para consulta de alunos mais velhos.
O entendimento é que os assuntos do poema devem ser abordados na escola, mas com supervisão de um especialista.
A secretaria não esclareceu como é feita a escolha dos livros. A sindicância aberta para apurar o caso do outro livro ainda não foi concluída.
Críticas
Professor da Faculdade de Educação da USP, Vitor Paro afirma que a escolha do livro para crianças de nove anos "é produto da incompetência e ignorância do governo".
"Por que os livros só foram retirados após o jornalista questionar? A análise não deveria ter sido feita antes?", diz.
A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo, classifica como "um horror" o poema. "Tem uma ironia que talvez só o adulto entenda. É totalmente desnecessário para uma escola."
"Já é o segundo caso. Os professores ficam inseguros com o material", disse ela.Em uma semana foram detectados dois problemas graves. Da primeira vez, um livro com tiras e charges de conteúdo adulto, discriminatório, cheio de rótulos preconcentuosos e linguagem ambígua, além de inadequada. Agora esse livro de poesia, com um conjunto de preconceitos embutidos num único poema, além de incitação à violência, afirmou a professora .
Segundo a educadora, há duas preocupações nos sucessivos casos de erro em livros distribuídos a alunos da rede pública.
- A primeira é se há profissionais com qualificação para fazer essa seleção. Os livros selecionados parecem ter passado apenas pelo crivo de 'compradores'. A segunda, que tenho notado, é que os professores agora estão em estado de alerta, além de inseguros. Cabe a eles uma nova atribuição nesse momento, o de revisar um material que já deveria estar revisado.
fonte:http://e-educador.com




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