quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

430 mil alunos de SP usam apostila na rede pública

Simone Iwasso

Mais de 430 mil alunos de 187 redes municipais do Estado de São Paulo usam apostilas em sala de aula em vez dos livros distribuídos pelo governo federal. Além disso, apesar de o modelo ser criticado por muitos acadêmicos, 84% dos professores de escolas que adotam o sistema afirmam que o desempenho dos alunos melhorou e metade disse que agora consegue organizar melhor sua aula. Os dados são de um estudo coordenado pela pesquisadora Paula Louzano a pedido da Fundação Lemann. O crescimento dos sistemas de apostilas, vendidos por escolas como COC, Objetivo, Positivo e Anglo, entre outras, havia sido divulgado pelo Estado em abril deste ano. Na época, levantamento feito pela reportagem mostrou que 150 escolas públicas paulistas de ensino infantil e fundamental já compravam o material. Na pesquisa da fundação, que será divulgada hoje, 57% dos professores consultados consideram bom o processo de capacitação oferecido pelo sistema de ensino escolhido.
MEC enviará 130 mi de livros sem nova regra ortográfica
Os professores das escolas públicas do País terão um desafio a mais no ano que vem. Vão ensinar as regras do novo acordo ortográfico da língua portuguesa, que começa a vigorar a partir de 1º de janeiro, sem ter em mãos material com a ortografia atualizada. O Ministério da Educação (MEC) vai distribuir 130 milhões de novos livros - a maioria didáticos - que foram editados sem considerar as regras do novo acordo. O problema se dá pelo fato de o processo de compra começar dois anos antes da data de entrega. A primeira leva de livros publicados na nova ortografia só chega a partir de 2010 nas escolas públicas. O livro didático do MEC é usado por três anos em uma mesma escola e a compra das obras é feita anualmente por etapa de ensino - 1º ao 5º, 6º ao 9º ano e médio. Segundo o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao MEC, em 2009, todos os alunos de ensino médio da rede pública vão usar 43 milhões de novos livros sem a nova reforma. O diretor de ações educacionais do FNDE, Rafael Torino, ressalta que o decreto do presidente Lula dá o prazo até 2012 para o fim do período de transição, no qual as duas ortografias serão consideradas oficiais. "O nosso planejamento de substituição dos livros didáticos vai respeitar esse prazo natural. Até o fim de 2012 todos os livros das escolas públicas já contemplarão a nova reforma", garante.

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