A falta de professores em sala de aula para disciplinas específicas como filosofia, sociologia, física e química é resultado da desvalorização da carreira do magistériofonte: Agência Brasil/ 24HorasNews (28.07.2008)A avaliação foi feita pela diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Vieira, em entrevista à Agência Brasil.
"Nós temos esse problema na educação brasileira que é o afastamento da juventude da área de formação em educação. Os cursos de pedagogia e outros da área da licenciatura não têm atraído a juventude", afirmou a educadora.
O Congresso Nacional aprovou duas leis que incluem, no currículo da educação básica, as disciplinas de música, filosofia e sociologia. Mas a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) já apontou em estudo que não há profissionais suficientes para atender a nova demanda. Como já acontece com a física e com a química, será necessário colocar em sala de aula professores formados em áreas correlatas, como história e ciência política.
"Isso é comum e lamentável porque em outras áreas não se improvisa. Não se improvisa na medicina, não se improvisa na engenharia e não se pode improvisar na educação. Às vezes, a pessoa [professor] tem a maior boa vontade, mas não domina aquele conteúdo, é importante que o profissional seja devidamente habilitado para aquele componente curricular", observou Juçara.
Para a representante da CNTE, a aprovação do piso salarial nacional dos professores, no último dia 2, pode fazer com que a carreira volte a ser atraente. Mas ela alerta que é necessário um "amplo esforço" para garantir a formação em instituições públicas de ensino superior.
"Como os salários são baixos, cria-se um círculo vicioso: as pessoas não estudam porque têm baixos salários e não há vagas suficientes nas universidade públicas. E, não estudando, elas também não qualificam a educação", concluiu.
Segundo Juçara, as iniciativas do governo federal para ampliar a formação de profissionais na rede pública de ensino superior ainda são insuficientes. Ela avaliou que a "pulverização de disciplinas", não necessariamente, implica em melhoria da educação e acaba gerando uma demanda de profissionais que, nem sempre, estão disponíveis. Para a educadora, há um excesso de projetos de lei para criar novos componentes curriculares.
"Nós acreditamos que se a escola tiver uma grande autonomia em relação ao currículo, ela pode inserir o conteúdo sem criar novas disciplinas. Fragmentar o currículo não significa avançar na educação", opinou.
A inclusão de novos componentes deve também respeitar as necessidades de cada região, de acordo com Juçara. "Em uma comunidade fronteira, é interessante que se invista em línguas estrangeiras."Da mesma forma, de acordo com um estudo da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), órgão que agora responde pela formação de docentes para a educação básica, o Brasil tem, hoje, 31.118 profissionais atuando como professores de filosofia, sendo que, desse total, apenas 23% têm formação específica. Na sociologia, são 20.339 professores atuantes, sendo 2.499 licenciados (12%).
Estimativa da Capes aponta que serão necessários 107.680 docentes, em cada uma das disciplinas, para atender aos 24.131 estabelecimentos de ensino médio. A oferta será obrigatória nos três anos desse nível de ensino.
Segundo o diretor de educação básica da Capes, professor Dilvo Ristoff, para atender à nova demanda seria necessário aumentar em 20 vezes o número de professores formados por ano, que hoje é de 2.884 em filosofia e 3.018 em sociologia.
"Como não houve obrigatoriedade do oferecimento dessas disciplinas nos últimos anos, isso também desestimulou a formação de professores nessas áreas nas universidades", disse Ristoff, em entrevista à Agência Brasil.
A demanda foi calculada considerando uma carga horária de 20 horas semanais para cada professor, em turmas de 30 alunos. "Se a gente levar em conta que 50% dos que se formam tendem a exercer outras profissões, a gente chega ao dramático número de 40 vezes mais graduados por ano", estimou.
Ainda não há um estudo específico sobre o impacto da obrigatoriedade do ensino da música na educação básica. Os dados existentes são sobre os professores de educação artística, área em que há profissionais formados em número suficiente para atender a demanda. Ainda assim, a maioria não atua no magistério.
"Certamente haverá um impacto, é uma demanda de outra natureza, não só de docentes, mas de ambientes específicos, professores com teoria, professores com prática, instrumentos musicais e a própria carga horária", avaliou Ristoff.
Na sua opinião, o primeiro estímulo para atrair os professores para a sala de aula foi dado este mês, com a aprovação do piso nacional do magistério. O Congresso aprovou o projeto no último dia 2.
Inicialmente, Ristoff prevê que será necessário colocar em sala de aula docentes formados em áreas correlatas à filosofia e à sociologia para cobrir o déficit. A prática já acontece nas disciplinas de química e física, em que o estoque de professores formados é insuficiente para atender a demanda.
"Agora teremos que incluir a filosofia e a sociologia no nosso plano emergencial. Estamos, inclusive, revendo os planos orçamentários para 2009. Vamos ter que chamar todas aquelas pessoas que têm uma formação correlata como história, ciência política e a sociologia pura, sem a licenciatura, para atender a lei", disse.
Para atrair ao magistério os profissionais licenciados em filosofia e sociologia que estão afastados das salas de aula, a Capes estuda a possibilidade de conceder bolsas.
Segundo Ristoff, a Capes deve pedir ao Conselho Nacional de Educação (CNE) que elabore uma regra de transição para atender à nova lei, com uma possível redução da carga horária nos primeiros anos.
De acordo com o educador, é essencial uma revisão também do currículo do ensino médio que ele classifica como "inchado". "Normalmente são 12 disciplinas no ensino médio, o que dá, em média, uma carga horária semanal de 48 horas", calculou. O ideal, segundo ele, seria a adoção do período integral nas escolas.
"Nós temos esse problema na educação brasileira que é o afastamento da juventude da área de formação em educação. Os cursos de pedagogia e outros da área da licenciatura não têm atraído a juventude", afirmou a educadora.
O Congresso Nacional aprovou duas leis que incluem, no currículo da educação básica, as disciplinas de música, filosofia e sociologia. Mas a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) já apontou em estudo que não há profissionais suficientes para atender a nova demanda. Como já acontece com a física e com a química, será necessário colocar em sala de aula professores formados em áreas correlatas, como história e ciência política.
"Isso é comum e lamentável porque em outras áreas não se improvisa. Não se improvisa na medicina, não se improvisa na engenharia e não se pode improvisar na educação. Às vezes, a pessoa [professor] tem a maior boa vontade, mas não domina aquele conteúdo, é importante que o profissional seja devidamente habilitado para aquele componente curricular", observou Juçara.
Para a representante da CNTE, a aprovação do piso salarial nacional dos professores, no último dia 2, pode fazer com que a carreira volte a ser atraente. Mas ela alerta que é necessário um "amplo esforço" para garantir a formação em instituições públicas de ensino superior.
"Como os salários são baixos, cria-se um círculo vicioso: as pessoas não estudam porque têm baixos salários e não há vagas suficientes nas universidade públicas. E, não estudando, elas também não qualificam a educação", concluiu.
Segundo Juçara, as iniciativas do governo federal para ampliar a formação de profissionais na rede pública de ensino superior ainda são insuficientes. Ela avaliou que a "pulverização de disciplinas", não necessariamente, implica em melhoria da educação e acaba gerando uma demanda de profissionais que, nem sempre, estão disponíveis. Para a educadora, há um excesso de projetos de lei para criar novos componentes curriculares.
"Nós acreditamos que se a escola tiver uma grande autonomia em relação ao currículo, ela pode inserir o conteúdo sem criar novas disciplinas. Fragmentar o currículo não significa avançar na educação", opinou.
A inclusão de novos componentes deve também respeitar as necessidades de cada região, de acordo com Juçara. "Em uma comunidade fronteira, é interessante que se invista em línguas estrangeiras."Da mesma forma, de acordo com um estudo da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), órgão que agora responde pela formação de docentes para a educação básica, o Brasil tem, hoje, 31.118 profissionais atuando como professores de filosofia, sendo que, desse total, apenas 23% têm formação específica. Na sociologia, são 20.339 professores atuantes, sendo 2.499 licenciados (12%).
Estimativa da Capes aponta que serão necessários 107.680 docentes, em cada uma das disciplinas, para atender aos 24.131 estabelecimentos de ensino médio. A oferta será obrigatória nos três anos desse nível de ensino.
Segundo o diretor de educação básica da Capes, professor Dilvo Ristoff, para atender à nova demanda seria necessário aumentar em 20 vezes o número de professores formados por ano, que hoje é de 2.884 em filosofia e 3.018 em sociologia.
"Como não houve obrigatoriedade do oferecimento dessas disciplinas nos últimos anos, isso também desestimulou a formação de professores nessas áreas nas universidades", disse Ristoff, em entrevista à Agência Brasil.
A demanda foi calculada considerando uma carga horária de 20 horas semanais para cada professor, em turmas de 30 alunos. "Se a gente levar em conta que 50% dos que se formam tendem a exercer outras profissões, a gente chega ao dramático número de 40 vezes mais graduados por ano", estimou.
Ainda não há um estudo específico sobre o impacto da obrigatoriedade do ensino da música na educação básica. Os dados existentes são sobre os professores de educação artística, área em que há profissionais formados em número suficiente para atender a demanda. Ainda assim, a maioria não atua no magistério.
"Certamente haverá um impacto, é uma demanda de outra natureza, não só de docentes, mas de ambientes específicos, professores com teoria, professores com prática, instrumentos musicais e a própria carga horária", avaliou Ristoff.
Na sua opinião, o primeiro estímulo para atrair os professores para a sala de aula foi dado este mês, com a aprovação do piso nacional do magistério. O Congresso aprovou o projeto no último dia 2.
Inicialmente, Ristoff prevê que será necessário colocar em sala de aula docentes formados em áreas correlatas à filosofia e à sociologia para cobrir o déficit. A prática já acontece nas disciplinas de química e física, em que o estoque de professores formados é insuficiente para atender a demanda.
"Agora teremos que incluir a filosofia e a sociologia no nosso plano emergencial. Estamos, inclusive, revendo os planos orçamentários para 2009. Vamos ter que chamar todas aquelas pessoas que têm uma formação correlata como história, ciência política e a sociologia pura, sem a licenciatura, para atender a lei", disse.
Para atrair ao magistério os profissionais licenciados em filosofia e sociologia que estão afastados das salas de aula, a Capes estuda a possibilidade de conceder bolsas.
Segundo Ristoff, a Capes deve pedir ao Conselho Nacional de Educação (CNE) que elabore uma regra de transição para atender à nova lei, com uma possível redução da carga horária nos primeiros anos.
De acordo com o educador, é essencial uma revisão também do currículo do ensino médio que ele classifica como "inchado". "Normalmente são 12 disciplinas no ensino médio, o que dá, em média, uma carga horária semanal de 48 horas", calculou. O ideal, segundo ele, seria a adoção do período integral nas escolas.
FONTE:http://e-educador.com/




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