quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sindicatos atacam proposta curricular da Secretaria de Educação de São Paulo

Fábio Galvão
Clipping Educacional - CGC Educação (12.02.2009)
Estudo diz que a proposta "está alinhada com as diretrizes sociais e econômicas do chamado capitalismo globalizado que, frente à atual crise mundial, demonstra não responder às necessidades da sociedade" Depois da polêmica com a prova de avaliação dos professores temporários, representantes de três entidades do magistério de São Paulo atacam agora a proposta curricular implantada pela Secretaria do Estado em 2008. Um estudo divulgado nesta terça-feira, dia 10, que traz também a opinião de seis professores-doutores das universidades públicas estaduais, diz que a nova proposta "está alinhada com as diretrizes sociais e econômicas do chamado capitalismo globalizado que, frente à atual crise mundial, demonstra não responder às necessidades da sociedade". O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Sindicato de Supervisores de Ensino do Magistério no Estado de São Paulo (Apase) e o Centro do Professorado Paulista (CPP) dizem que a ideia de debater o novo currículo surgiu após "os profissionais da educação entenderem ser a proposta curricular mais uma política implementada pelo governo estadual sem a necessária participação de todos os envolvidos". Meritocracia Na opinião dos sindicatos, o governo só culpa os educadores pelo fracasso do processo de ensino-aprendizagem. "Essa avaliação falaciosa levou a secretaria a adotar a remuneração por meio de critérios meritocráticos", diz o texto, numa referência ao programa que prevê prêmios em dinheiro para as escolas que melhorarem o desempenho nas avaliações. Para as três entidades, estas avaliações "só têm a preocupação de projetar o Estado no ranking das políticas educacionais brasileiras e mundiais". O texto afirma que a Secretaria de Educação incorporou medidas indicadas pelo Banco Mundial que privilegiam as apostilas, recursos didáticos, audiovisuais e informáticos ao invés da formação acadêmica dos docentes. "A opção por privilegiar os insumos, as tecnologias, a formação inicial e continuada aligeirada, a distância, os guias elaborados por equipes especializadas, sugere a desqualificação e o esvaziamento da profissão docente", diz o estudo "Proposta Curricular do Estado de São Paulo: uma avaliação crítica" A presidente da Apase, Maria Cecília Mello Sarno, ressalta a necessidade de implantar a proposta curricular, mas acusa a secretária de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, de adotar uma "atitude autoritária" e "intempestiva" por não ouvir os professores. Ela diz que o estudo "é uma primeira abordagem crítica dos pressupostos filosóficos" da secretaria e promete lançar ainda este ano uma revista e um livro com "alternativas de projetos pedagógicos". Jaula Na opinião da presidente a Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Secretaria da Educação construiu o currículo como uma “grade que enjaula disciplinas e não contribui para a de produção do conhecimento". Ela diz ser "inaceitável" que o governo do Estado, de "orientação neoliberal", produza "guias curriculares que os professores devem seguir passo a passo, sem possibilidade sequer de discutir seu conteúdo". Já o presidente do Centro do Professorado Paulista, Palmiro Mennucci, diz que a secretaria quer "imprimir" aos docentes o papel "do bom técnico ou do reprodutor de guias didáticos pré-estabelecidos". Ele defende a autonomia do docente na elaboração da proposta curricular. "Ao tomarmos nas mãos a autoria do nosso ofício, estaremos nos comprometendo com a construção da escola pública de qualidade social, para todos, sem deixarmos de lado a luta por melhores salários e condições de trabalho", escreve. O documento também traz a análise de professores-doutores da USP, Unicamp, UFSCar e da Universidade Católica de Santos. Cinco deles cobram maior participação dos professores na elaboração do projeto pedagógico. Neoliberalismo Na opinião de Mara Regina Martins Jacomeli, doutora em Educação e professora da Faculdade de Educação da Unicamp, as políticas em educação adotadas no Brasil, inclusive em São Paulo, seguem as "diretrizes das políticas educacionais, sob a égide do neoliberalismo e do discurso de globalização da sociedade capitalista, ditadas por organismos multilaterais como Banco Mundial, FMI e Unesco". José Claudinei Lombardi, também doutor em Educação e docente da Faculdade de Educação da Unicamp, analisou a reforma curricular do Estado sob dois aspectos: a forma e o conteúdo. Na visão dele, ela surgiu por "mecanismos e processos de pseudoconsultas, insuficientes para escamotear o caráter autoritário de sua elaboração". Quanto ao conteúdo, diz ele, a proposta "é precariamente ancorada na literatura disponível e coloca o gestor num papel meramente fiscalizador". O professor critica ainda a "concepção educacional calcada numa perspectiva neoliberal, privatista e mercadológica". Para Selma Garrido Pimenta, doutora em Educação e pró- reitora de Graduação da USP, a implantação dos parâmetros curriculares "está fadada ao fracasso por ser meramente burocrática". Ela diz que a proposta da Secretaria "não dialoga com os professores e os dirigentes, responsáveis diretos pelo currículo vivo no cotidiano escolar". Dirigentes de plantão A professora doutora do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da Faculdade de Educação da USP, Maria Izabel de Almeida, também faz duras críticas à Secretaria. Segundo ela, "reformas curriculares impostas autoritariamente não se enraízam e caem no esquecimento assim que os dirigentes de plantão saem de cena". Ela se diz "triste porque os alunos que estão hoje na escola não terão outra chance de viverem, com seus professores, uma experiência escolar gerida democraticamente". O professor da UFSCar Luiz Bezerra Neto, doutor em Educação, opina que na proposta da pasta da educação "o professor perde a centralidade, pois não tem o que ensinar, dado que todo o conhecimento deve partir do que o aluno já sabe". Ele afirma que a proposta do governo paulista "conduz a um imobilismo pela difusão da crença de que tudo está dado e acabado, ofuscando a idéia da possibilidade de transformação social". A professora Nereide Saviani, doutora em Educação da Universidade Católica de Santos, não faz uma crítica direta à secretaria e ressalta que a concepção de um currículo é uma "construção social sempre conflituosa e negociada" que acontece na relação entre gestores, professores e alunos. Ela entende que mesmo que os professores e alunos aceitem as novas normas curriculares, é preciso igualdade de condições na negociação. "Daí, a necessidade de espaços democráticos de participação dos professores, no sentido de que tenham condições de examinar as propostas e argumentos vindos das instâncias administrativas". A CGC Educação entrou em contato com a Secretaria de Educação na terça-feira à tarde para obter a opinião da pasta sobre o estudo. A assessoria de imprensa leu a mensagem enviada, mas não havia respondido até o final da tarde esta quarta-feira.
Fonte: http://e-educador.com/

Um comentário:

  1. Parabéns pelo blog... Muito bem organizado.

    Um fraterno abraço!!!
    www.juarezfrmno2008sp.blogspot.com

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