quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Prova foi pautada pela bagunça, diz Apeoesp

Clipping Educacional - Folha de São Paulo (10.02.2009)
Presidente do sindicato dos professores diz que houve vazamento do gabarito e que prova foi aplicada pelos próprios professores
"É inadmissível que a secretaria, agora que foi impedida de usar a "provinha" na contratação dos temporários, se ache no direito de divulgar dados parciais que só servem para caluniar os professores da rede estadual", disse ontem a presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores do Estado de São Paulo, Maria Izabel Azevedo Noronha. "Ninguém mais acredita nessa prova", afirmou.Segundo ela, antes de dar publicidade a resultados de uma prova "contestada de alto a baixo", a secretaria deveria preocupar-se, isso sim, em corrigir os problemas apontados.Maria Izabel diz que nunca se opôs à avaliação de conhecimentos. "Sempre defendemos o concurso público como método de contratação por excelência. Mas o que a secretaria quis fazer foi um arremedo disso."Entre os problemas citados, constam o suposto vazamento, na véspera da prova, do gabarito dos testes de história (no total foram avaliadas 14 disciplinas distintas); o fato de os aplicadores das provas serem professores da própria rede, o que, segundo a entidade, pode ter comprometido irreversivelmente a segurança do certame ("Onde já se viu colega fiscalizar colega?"); o fato de a logística da prova "ter sido pautada pela bagunça" -ela menciona locais em que os testes começaram antes do horário marcado, e outros em que os examinadores chegaram atrasados, sem contar casos em que as provas chegaram às salas em envelopes sem lacre.Erros de português"Por que as provas não foram elaboradas, aplicadas e corrigidas por alguma entidade especializada nesse tipo de concurso público que envolve milhares de candidatos, como a Vunesp e a Fundação Carlos Chagas?", pergunta a presidente.A prova de sociologia, por exemplo, apresentou erros de concordância verbal, como na questão 17, que diz: "(...) as diferenças de comportamento entre os grupos é justificado pela antropologia como:" O correto é "...são justificadas..."Também apareceram problemas de redundância ("o grupo se enxerga a si mesmo"), e de acentuação ("O quê pode levar à integração de um grupo?").A divulgação dos resultados da prova, antes de sua derrubada pela Justiça, evidenciou que a cesta de problemas ainda não se tinha esgotado.A professora Ana Rosa da Rocha Lima, 34, de Bragança Paulista, a 85 km de São Paulo, inscreveu-se para disputar aulas de educação física e de ciências. No dia 17, entretanto, só fez a prova de educação física. "Um supervisor avisou a turma que seria muito difícil pegar alguma coisa em ciências, então desisti. Nem peguei a prova."Quando as notas foram divulgadas, surpresa, ela viu que tinha feito 54,4 pontos em ciências e 48 em educação física. "Não pode ser nenhum homônimo, porque a nota veio com nome e RG. Eles erraram mesmo", disse a professora.Para a juíza Maria Gabriella Pavlopoulos Spaolonzi, da 13ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, o fim provisório da polêmica sobre a "provinha" teve menos a ver com os argumentos pró ou contra.Segundo ela escreveu na decisão que enterrou, ao menos por ora, as notas no teste, "não há que se olvidar que a escola pública representa, para milhões de alunos, algo a mais do que as atividades escolares. Alcança, inclusive, o meio da própria alimentação, através das merendas escolares".Se não se tomasse agora uma decisão, 5 milhões de alunos teriam de esperar mais tempo ainda para reiniciar as aulas que, pelo calendário escolar, já deveriam começar amanhã. Com a decisão da juíza, as aulas se iniciarão no próximo dia 16.

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