quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Professor "nota zero" em avaliação pode perder cargo em julho

Laura Capriglione

Clipping Educacional - Folha de São Paulo (11.02.2009)
Secretaria da Educação insistirá em selecionar docentes temporários por meio da prova realizada no ano passadofonte:
Conforme noticiado por diversos meios de comunicação, decisão judicial derrubou o exame, que seria usado como um dos critérios para a distribuição de aulas para professores temporários
A Secretaria da Educação anunciou ontem que insistirá em fazer da prova realizada no dia 17 de dezembro um dos critérios para a escolha de 100 mil professores temporários da rede estadual de São Paulo.
"Se houver respaldo legal", diz a secretaria, no meio do ano será divulgada uma nova classificação dos candidatos a professores temporários, dessa vez levando em consideração ainda a prova (além de tempo de serviço e títulos). Não diz, porém, o que ocorrerá com os docentes temporários já escolhidos.
A intenção da secretaria foi comunicada no mesmo momento em que a Apeoesp, o sindicato dos professores, comemorava a decisão judicial que derrubou -por ora- a prova.
A Apeoesp espalhou faixas nas escolas que diziam: "Exigimos respeito aos nossos direitos. "Provinha" nunca mais".
A atribuição de aulas para os temporários, que começou ontem em todo o Estado, deve se estender até sexta-feira. A contratação dos 100 mil temporários pela Secretaria da Educação para ministrar aulas é uma forma de suprir a carência de concursados (130 mil).

Depressão
A professora de Geografia Irene (nome fictício a pedido dela), 52, tem 20 anos de magistério. Há quatro, está afastada por causa de uma depressão. Na prova da Secretaria da Educação, ela tirou zero. "Estou com a visão turva, com mal-estar, não consigo ler o texto", escreveu na prova. Não respondeu a nenhuma pergunta.
Irene recebeu ontem às 15h a incumbência de ministrar 32 aulas por semana, em três escolas da zona sul. Logo em seguida, ela procurava dicas junto a colegas sobre como voltar para a licença médica. "Preciso de pelo menos mais 60 dias", dizia.
Irene é uma entre os cerca de 1.500 professores em toda a rede estadual de ensino que, mesmo tendo "zerado", devem conseguir o direito de dar aulas na qualidade de temporários.
Com a derrubada da prova, candidatos com longo tempo de serviço, como Irene, mesmo com desempenho pífio, passaram à frente, na classificação, de professores que foram bem, mas são jovens na rede.
Na Diretoria de Ensino Sul 2, responsável pelas 87 escolas estaduais de bairros como o Capão Redondo, Jardim São Luiz e Jardim Ângela, que estão entre os mais pobres de São Paulo, cerca de 4.000 professores tinham ontem os olhos em painéis com as listas de classificação. Em sua maioria, eles moram nos mesmos bairros carentes em que disputam trabalho.
Wanda levou o filho de dois meses para a atribuição de aulas. Ela lecionava no ano passado. Se não pegar nenhuma neste ano, perderá o direito à licença-maternidade, que no Estado tem a duração de seis meses. "É questão de vida ou morte para mim e para meu filho."
"Nossa região tem muito desemprego e pobreza. Queremos estabilizar esses temporários, garantir-lhes o emprego, para que eles possam enfim se dedicar ao ensino e aos alunos", disse Severino Honorato Silva, 38, conselheiro da Apeoesp.
Frase
"Exigimos respeito aos nossos direitos. "Provinha" nunca mais" dizeres de faixa da Apeoesp espalhada nas escolas.

9 comentários:

  1. Analisando-se os dois lados da questão:

    - É impressionante que a Sra. Irene tenha passado incólume por tanto tempo, causando 20 anos de danos às crianças que passaram por ela. Qual o preço a ser pago por essas inúmeras crianças no futuro?

    - Por outro lado, todos merecem uma chance na vida. E o sistema não deu a chance adequada no tempo adequado para dar o treinamento e a qualificação necessários para que problemas fossem tratados. Com certeza a Sra. Wanda foi uma dessas pessoas negligenciadas pelo sistema.

    Conclusão: O Sr. Severino e a APEOESP são os hipócritas mor ao atacarem apenas a consequência e não seu fato causador. Avaliações sistemáticas são necessárias para capturar problemas antecipadamente e não 20 anos depois. Porém, não podem ter apenas caráter punitivo e sim de dar a chance de corrigir os problemas encontrados formando assim um ciclo virtuoso.

    Der Doppelgänger

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  2. "Nossa região tem muito desemprego e pobreza. Queremos estabilizar esses temporários, garantir-lhes o emprego, para que eles possam enfim se dedicar ao ensino e aos alunos"...Enfim, cabide de emprego???? Querem estabilizar os temporários sem nenhum critério? Algum Q.I. num passado longínquo apresentou o camaradinha na escola pq ele não conseguia coisa melhor, ele parou no tempo, não se aprimorou e ainda esqueceu o que (supostamente) aprendeu. E não são apenas os Zerados, tem o fato de que quase 50% desses incompetentes não conseguiram a nota mínima de corte. E a senhorinha lá de cima esteve, está e quer continuar a mamar nas tetas do governo (que é financiado por mim e por vcs), e pq por 20 anos ela ESCOLHEU trabalhar como temporária acha que tem o direito de tirar o lugar de alguém mais preparado. E já quer sair de licença novamente?? Que zona! Eu entendo que o governo precise gerar emprego, mas tem as frentes de trabalho para as pessoas que (infelizmente)não tem qualificação. O que não dá é para que essas pessoas dêem aula. Zerar é um absurdo... Como mãe de aluna, estou estarrecida e espero que esses "professores" sejam mandados embora em junho. Quem sabe sirva de estímulo para que eles reaprendam o que esqueceram (se é que algum dia o souberam). A APEOESP é uma vergonha para a Educação.

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  3. Caros leitores, creio que já é passada a hora do governo do Estado de São Paulo ter uma politica de estado e não de governo, pois cada governante que chega ao poder no estado mais rico do Brasil desconstrói o que aneterior construiu, ou tentou... no caso da educação a caso é pior ainda, pois não atacam o problema de frente querem simplesmente melhoria de indíces, mais não enxergam a precariedade em que está a educação do estado como um todo, desde salas lotadas e precarias até professores sem preparo, não tem que haver professor temporario, e sim professores concursados, bem preparados e remunerados... mais isso custa caro, mis caro ainda a sociedade, pois custa toda a formação academica e cidadã de nossas crianças.... até quando a sociedade ira fechar os olhos a isto???? Caros colegas leitores o buraco é mais embaixo...

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  4. Bety:

    O buraco é mais embaixo mesmo. Muito mais. A montagem e desmontagem não faz sentido pois o PSDB está no governo já a um bom tempo.

    O problema é que a escola pública virou um gueto, já que a classe média se bandeou para a escola particular.

    Os pais da escola pública não se importam e não demandam nada pois não tem a mínima idéia do por que e como. Desde que o filho tenha um lugar para ficar e merenda, "tá bom demais".

    O Senador Cristóvam Buarque podia passar o projeto dele onde todos os detentores de cargos públicos devem fazer com que os filhos estudem em escola pública. Se não passar, que pelo menos gere o debate.

    A solução ao meu ver é aumentar o ensino médio profissionalizante. Ou seja, aumentar na ponta da demanda. Dar um propósito para que as classes C e D deixem e mantenham seus filhos na escola. Para que possam ir para o mercado profissional e começar a gerar renda.

    Dessa maneira talvez numa próxima geração, esses mesmos profissionais possam determinar o valor do estudo e fazer com que os seus filhos avancem mais um passo até a faculdade.

    Outra coisa, o que o estado (federal, estadual) está fazendo para preparar a educação de modo que se acompanhe o aumento do poder aquisitivo verificado nos últimos anos? Eu sei a resposta, absolutamente nada. Isso com certeza é uma oportunidade perdida para qualificar cidadãos a serem mais e mais produtivos.

    Der Doppelgänger

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  5. Eliane Lima:

    Enquanto a APEOESP e o Estado não perceberem que:

    1) O foco deve ser o aluno, e NÃO o professor. Ações para o professor só devem ser tomadas através da determinação da correlação direta e indiscutível de benefício ao aluno.

    2) A escola pública virou um gueto. É isso mesmo, virou um depósito de pessoas que não terão as ferramentas mínimas e básicas para serem cidadãos nem do ponto de vista social e nem do ponto de vista profissional.

    Enquanto essas duas causas raiz não forem admitidas e encaradas de frente, pode esquecer e continuar a se revoltar.

    Outra coisa, como a Bety também comentou, a secretaria da educação (e todas as outras secretarias) deveriam ser apartidárias e de alguma maneira independentes da "política do momento". Senão não há estratégia que perdure. Não dá para ficar reinventando a roda a cada 4 ou 8 anos. Tem que ser uma coisa consistente e contínua guiada por um regimento básico e implementado por grupos profissionais e absolutamente apartidários.

    É o dinheiro dos nossos impostos indo diretamente para o ralo.

    Der Doppelgänger

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  6. Sinceramente, não é pelo fato de os alunos serem como são (baderneiros) que não mereçam educação de qualidade. Cansei de ver professores acomodados, "mamarem" no Estado e ainda se acharem injustiçados com algumas situações. Se não gosta do que faz cai fora e deixa p/ quem quer. Vejo que o principal problema da educação é esse tipo de situação, concordo que não se trata apenas de OFAS, mas também professores Efetivos que devido a estabilidade se acomoda. Só para ter uma idéia de como funcionam as coisas, o Estado ofereceu "gratuitamente" cursos de inglês, ouvi professores dizendo que não fariam porque teriam que fazer fora do horário de trabalho... absurdo!!! Conhecimento, não é o Governador ou a Secretaria que vão levar para o resto da vida, mas sim pessoas que não são medíocres como alguns professores que não gostam de buscar "o novo" apenas por comodismo!!! Não sou a favor da prova do jeito que foi, mas sou a favor de uma avaliação que "abra" os olhos dos órgãos competentes (não apenas do Estado) para esses tipos de professores.

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  7. Muitas coisas estão por trás dessa prova, pelo menos ao meu ver:

    1- A imposição da proposta curricular e o uso da prova como um mecanismo de ter dados reais sobre quem a aplica na prática (mesmo que a prova tenha sido aberta para professores que nunca deram aula);

    2- Uma maneira eficaz de desestruturar a vida dos professores mais velhos, alguns deles próximos da aposentadoria à fim de conter insumos;

    3- Uma estratégia para segmentar os professores. Uma artimanha para brigarem entre si, com o intuito de não atender as reais necessidade da classe como um todo;

    4- Uma estratégia midiática para que a sociedade ache um "culpado" pela má qualidade do ensino público, pois assim o governo é desprovido de sua "culpa".

    SÓ NÃO É JUSTO SUBESTIMAR NOVOS PROFESSORES PARA LEGITIMAR O "TEMPO DE SERVIÇO" COMO CRITÉRIO DE QUALIDADE!

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  8. Parabéns ao governo Serra, aprendeu direitinho a lição com os malditos políticos desse país contribuindo mais uma vez para o caos do ensino público, é impressionante mais cada cidadão tem o governo e o ensino que merece. com a resposta OS ELEITORES DO PSDB A 14 ANOS NO GOVERNO DE SÃO PAULO. ALUNOS EM PUXADINHOS, MERENDA SECA E PÉSSIMOS PROFESSORES POR FALTA DE CONCURSO, PELO AMOR DE DEUS, ESTAMOS SENDO SUPERADOS PELA BOLIVIA E PERU, IMAGINEM ISSO NA PRESIDÊNCIA, O ESTADO MAIS RICO DA FEDERAÇÃO NÃO POSSUI UM PLANO DE CARREIRA ACADÊMICO PARA NÃO PAGAR OS BONS PROFESSORES E SE UTILIZA DOS OFAS MUITOS DELES SEM APTIDÃO PARA O ACADÊMICO, AGORA COMO O IPESP TÁ INCHADO, NEGLIGENCIA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ARRUMANDO SUBTERFUGIOS ILEGAIS PARA MANDA-LOS EMBORA E COLOCA-LOS NO REGIME INSS. REPITO CADA POPULAÇÃO TEM O GOVERNANTE QUE MERECE E SÃO PAULO JÁ ESCOLHEU O SEU A 14 ANOS.
    UM ABSURDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  9. EPOCRESIA FALTA DE AMOR PRÓPRIO ...NO MEIO DISSO TUDO CRIA-SE UMA DOENÇA ENCORRÍGIVEL.PREÇO GRANDE PRA SOBREVIVER.TENTAR DA O MELHOR DE SI.PRA TER UM PAÍS MELHOR.NÃO VIVER DE NOSTALGIA MAS DA REALIDADE.FAZER PROVA PRA QUE...SE TEM PROFISSONALISMO....EGOCENTRICO EGOISTAS...NÃO PENSSA EM DEUS.SÓ NESTA VIDINHA MEDILCRE.FINGE ATÉ DAR AULAS. E LAMENTAVEL. FORA E OUTRA PESSOA.LA DENTRO FINGE.MATERIAS FRACAS. ESSA SÃO MINHAS PALAVRAS. LUCIA

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