Relato autobiográfico
AkiraKurosawa (1993)
“Sempre fui honesto ao reconhecer meus erros. Se fazia algo ruim na escola e o professor questionava o responsável pelo ato, levantava a mão. Ele tirava seu livro de nota e me dava um zero de conduta.Quando o novo professor apareceu, continuei a agir dessa forma honesta. Levantei a mão quando ele questionou os responsáveis.Mas esse professor disse que estava tudo bem, porque eu não tentara fugir da responsabilidade. Tirou seu livro de notas e me deu cem de conduta.Não sei qual desses professores estava certo, mas devo admitir que gostava mais daquele que me deu cem. Era o sr. YoichiOhara, o mesmo professor que me disse ser a minha redação ‘a melhor desde a fundação do Ginásio Keika’. [...]”(p. 93)
ÉTICA
•Ciência que toma por objeto imediato os JUÍZOS de apreciação sobre os atos qualificados como bons ou maus. No campo ético estabelecemos juízos de valor.•A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Enquanto conhecimento científico deve aspirar à racionalidade e objetividade.
AVALIAÇÃO
•No campo da educação significa emitir um julgamento sobre o desenvolvimento do processo ensino e aprendizagem.•Deve ser vista como um processo integrado ao currículo (Hargreaves)
•Não se confunde com medida de alguma coisa.
ÉTICA E AVALIAÇÃO
•O que significa um procedimento ético no campo da avaliação educacional?•Ser justo.•Ser responsável.
•Pressupõe o delineamento de uma proposta educacional que explicite o que se pretende em termos de formação.
Avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas
•No campo da educação, até há alguns anos, a prática da avaliação era principalmente conhecida como atividade da escola, ou seja, como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula.
•Atualmente, em razão de abordagens mais abrangentes que envolvem as relações entre a educação e o desenvolvimento social (IDH), ganha corpo a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas.
Características da Avaliação de Sistema I
•Incide sobre o produto do processo ensino e aprendizagem.
•Embora os alunos respondam a questões e realizem provas, não são eles que são avaliados. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos. Desse modo, as interrogações deveriam orientar-se não aos alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos (Casassus, 1997).
Avaliação de Sistema II
•Neste caso, o que se busca fazer é um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional, regional ou local. Atualmente, a Prova Brasil realizada pelo MEC faz um diagnóstico por escola.
•Tem a finalidade de orientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas.
Avaliação de Sistema III
•Os dados obtidos pela avaliação de sistema devem ser levados em conta pela escola quando avalia o aluno individualmente.
•A avaliação de sistema é feita tendo em vista obter informações que permitam melhorara a qualidade do processo ensino e aprendizagem como um todo.
Avaliação de Sistema IV
•A avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização, autonomia), com o projeto pedagógico e com o currículo, que são estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos.
O processo de avaliação na sala de aula
•A concretização da avaliação como uma ação formativa e transformadora pressupõe compreendê-la como um ato intencional, planejado, tendo como referência o aluno,
seus conhecimentos, suas necessidades articuladas às metas e às expectativas de ensino e aprendizagem.Apresentando um conceito de avaliação que seja ético
•A avaliação com vistas a uma educação de qualidade deve cumprir papel educativo, ou seja, tornar a pessoa consciente da realidade presente e futura, portanto, precisa ultrapassar a perspectiva puramente quantitativa.
Avaliar em termos qualitativos ultrapassa amplamente a simples medida, a constatação de dados, para projetar num julgamento em função de uma tarefa comparativa.•Enquanto a avaliação de sistema incide sobre resultados, a avaliação na sala de aula primordialmente se preocupa com o processo ensino e aprendizagem.•Entretanto, tanto num caso como no outro são observadas quatro etapas, a seguir enunciadas:
Etapas Clássicas da Avaliação
•Levantamento de informações;•Análise das mesmas;•Processo de tomada de decisão;•Comunicação dos resultados da avaliação aos alunos, durante o processo e ao final de cada etapa.
Processo Intencional e Planejado
•Uma avaliação intencional e bem planejada requer:•Instrumentos e estratégias que:1) ofereçam desafios, situações-problema a serem resolvidas;2) sejam contextualizadas, coerentes com as expectativas de ensino e aprendizagem;3) possibilitem a identificação de conhecimentos do aluno e as habilidades por ele empregadas;4) possibilitem que o aluno reflita, elabore hipóteses, expresse seu pensamento;5) permitam que o aluno aprenda com o erro;6) exponham com clareza o que se pretende;7) revelem claramente o que e como se pretende avaliar.Finalidade da avaliação•Na perspectiva de um processo de avaliação que seja ético, ou seja, justo e responsável, deve se acentuar o caráter educativo da avaliação, ou seja, considerá-la como um meio de revisão das ações docentes, práticas de ensino, interaçãocom os alunos, de modo a que se tomem decisões com maior conhecimento de causa.
•Desse modo, a avaliação deve ser compreensiva e global do processo ensino e aprendizagem.•Democrática: os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar.•Auto-avaliação: mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação análise-reflexão-planejamento, em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho, 1994).Fatores que devem ser levados em conta na avaliação do professor.•Disponibilidade, organização, utilização dos recursos materiais e didáticos, incluindo instalações e equipamentos;•Critérios de organização de turmas, horário de aulas e distribuição de disciplinas;•Ações de formação continuada de professores, funcionários e pedagogos;•Encontros e reuniões de professores;•Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação, conforme o nível de ensino atendido;
•Atividades administrativas e de apoio pedagógico-didático ao professor (Libâneo, 2005).
A construção de um referencial
•A avaliação enquanto atividade inerente ao processo de desenvolvimento do currículo coloca para a escola a realização das seguintes tarefas:
-Construção de um referencial com o qual se compara o resultado obtido;
-Construção de instrumentos para coleta de informações;
-Aplicação dos instrumentos;
-Comparação das informações obtidas com o referencial construído (Palma, 2005, p.101)
O projeto curricular•Cumpre três finalidades:
-Aumentar a coerência da prática pedagógica;-Melhorar a competência docente e gestora da escola;-Adequar ao contexto da escola as orientações emanadas da administração central: CF, LDB, PCN, diretrizes curriculares etc.
Projeto curricular
•Decisões a serem tomadas:
-O que ensinar (expectativas de aprendizagem de cada ciclo);-Quando ensinar (seqüenciaçãodas expectativas e dos conteúdos).
-Como ensinar (são as estratégias de ensino);
-O que , como e quando avaliar. Deve-se também decidir sobre os critérios para promoção dos estudantes;
-Medidas de atenção especial.Projeto Curricular: a relação com a avaliação
•Nos PCN, esta relação se apresenta como:
-O ajuste e a orientação daintervenção pedagógica paraque o aluno aprenda da melhor forma;-Obtenção de informaçõessobre o que foi aprendido e como;-Reflexão contínua peloprofessor sobre sua práticaeducativa;
Avaliação do progresso dos alunos, que implica em conhecersuas necessidades oucapacidades, julgar seus avançose indicações para prosseguimentode estudos (avaliação formativa);Avaliação tendo em vistamelhorar o ensino, ou seja,refletir sobre a adequação equalidade dos materiais
didáticos, a utilidade e eficáciadas estratégias de ensino, aorganização e a seqüência dosconteúdos de ensino.Avaliação das condições defuncionamento da instituiçãode ensino: dias letivos,ausência dos professores,condições de funcionamentodos diferentes equipamentosescolares etc.;Avaliação dos aspectosrelacionados com a política eadministração do sistemaescolar, como por exemplo:qualidade da educaçãooferecida pela escola,desempenho profissional dopessoal docente e técnico-administrativo etc.;Estar atento à diversidade, ouseja,considerar não só ascapacidades intelectuais e osconhecimentos de que o alunodispõe, mas também seusinteresses e motivações.
Lei Federal 8.069, de 20/07/1990
Estatuto da Criança e do
Adolescente
Art. 53 –A criança e oadolescente têm direito àeducação, visando ao plenodesenvolvimento de sua pessoa,preparo para o exercício dacidadania e qualificação para otrabalho, assegurando-se-lhes:
•I –igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola;•II –direito de serem respeitados por seus educadores;•III –direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
•IV –direito de organização e participação em entidades estudantis;•V –acesso àescola pública e gratuita próxima de sua residência.
•Parágrafo único. Édireito dos pais ou responsáveis terem ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.
Fracassados aos sete anos?
“Um terço dos estudantes brasileiros da 1ªsérie do Ensino Fundamental, em 2003, foi reprovado ou abandonou o sistema escolar. Reiniciaram seus estudos, novamente, na 1ªsérie, em 2004. Essa éuma das principais medidas do fracasso escolar no Brasil.
O número éalarmante tanto pela sua dimensão quanto pela exclusão social provocada. A reprovação representa um enorme custo para o Estado e para a sociedade. Custos econômicos e humanos. O fracasso, anunciado por uma reprovação ou pelo abandono, éuma porta de entrada para a exclusão social.
De forma simbólica, os estudantes estão sendo informados da sua inaptidão para o aprendizado.
Diversos são os fatores associados ao desempenho escolar e ao seu fracasso ou sucesso. Alguns estão situados no âmbito da escola e outros dizem respeito àvida econômica e social dos estudantes. As instituições de ensino podem contribuir para o sucesso oferecendo bons recursos pedagógicos, docentes e gestores com boa qualificação técnica e, ainda, quando mobilizam os recursos para o objetivo da aprendizagem. Évital um projeto pedagógico explícito para a formação dos estudantes
que seja ao mesmo tempo comprometido com conteúdos e com o envolvimento significativo dos alunos. Fatores relativos àvida extra-escolar dos alunos impactam no aprendizado.
O contexto familiar do qual a criança se origina, a escolaridade dos pais, a valorização que a família atribui àescolarização, a preocupação com a boa trajetória dos filhos, o acompanhamento dos estudos e a participação efetiva na vida escolar dos estudantes são elementos centrais para um aprendizado proficiente.Uma análise do perfil das crianças reprovadas mostra que elas estão freqüentando a escola pela primeira vez, são oriundas de lares com poucos recursos, seus pais têm pouca escolaridade, não têm acesso a livros, computadores e internet.São meninos e meninas pertencentes às famílias mais pobres do País.
Os dois conjuntos de fatores devem ser considerados na explicação para as altas taxas de fracasso no início da escolarização. Tais fatores podem e devem ser melhorados. Para isso, deve-se deixar de atribuir aos alunos a culpa pelo fracasso. Crianças de sete anos de idade não deveriam ser reprovadas e, muito menos, expulsas do sistema.Para esses mais de 30%, a escola deve estar preparada para reverter o quadro. Ela deve ter condições de identificar as crianças com dificuldades de aprendizado e encaminhá-las para receber um atendimento adequado. De maneira geral, a maioria das crianças não tem dificuldades de aprendizado.Os motivos predominantes do fracasso são outros. Dizem respeito àqualidade do ensino, em especial, nessa fase, àalfabetização. Para a imensa maioria das crianças que ingressaram na escola na primeira série éincontornável a necessidade de passarem por um programa de alfabetização.Devem aprender a ler e começar a aprender a escrever. Devem ser expostas a habilidades necessárias, tais como decodificar as letras e ler as palavras e os primeiros textos com fluência. Os seus docentes devem estar convictos da necessidade de uma pedagogia explícita para a alfabetização
Essas são medidas necessárias para reduzir o imenso contingente de ‘fracassados’. Se adotadas, a maioria das crianças, antes destinada a receber o boletim escolar manchado pela reprovação, estaráaprovada, melhor, estaráalfabetizada, a caminho do letramento.”
(Carlos Henrique Araújo e NildoLuzio)
www.inep.gov.br/imprensa/artigos/artigo-02-05.
AkiraKurosawa (1993)
“Sempre fui honesto ao reconhecer meus erros. Se fazia algo ruim na escola e o professor questionava o responsável pelo ato, levantava a mão. Ele tirava seu livro de nota e me dava um zero de conduta.Quando o novo professor apareceu, continuei a agir dessa forma honesta. Levantei a mão quando ele questionou os responsáveis.Mas esse professor disse que estava tudo bem, porque eu não tentara fugir da responsabilidade. Tirou seu livro de notas e me deu cem de conduta.Não sei qual desses professores estava certo, mas devo admitir que gostava mais daquele que me deu cem. Era o sr. YoichiOhara, o mesmo professor que me disse ser a minha redação ‘a melhor desde a fundação do Ginásio Keika’. [...]”(p. 93)
ÉTICA
•Ciência que toma por objeto imediato os JUÍZOS de apreciação sobre os atos qualificados como bons ou maus. No campo ético estabelecemos juízos de valor.•A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Enquanto conhecimento científico deve aspirar à racionalidade e objetividade.
AVALIAÇÃO
•No campo da educação significa emitir um julgamento sobre o desenvolvimento do processo ensino e aprendizagem.•Deve ser vista como um processo integrado ao currículo (Hargreaves)
•Não se confunde com medida de alguma coisa.
ÉTICA E AVALIAÇÃO
•O que significa um procedimento ético no campo da avaliação educacional?•Ser justo.•Ser responsável.
•Pressupõe o delineamento de uma proposta educacional que explicite o que se pretende em termos de formação.
Avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas
•No campo da educação, até há alguns anos, a prática da avaliação era principalmente conhecida como atividade da escola, ou seja, como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula.
•Atualmente, em razão de abordagens mais abrangentes que envolvem as relações entre a educação e o desenvolvimento social (IDH), ganha corpo a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas.
Características da Avaliação de Sistema I
•Incide sobre o produto do processo ensino e aprendizagem.
•Embora os alunos respondam a questões e realizem provas, não são eles que são avaliados. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos. Desse modo, as interrogações deveriam orientar-se não aos alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos (Casassus, 1997).
Avaliação de Sistema II
•Neste caso, o que se busca fazer é um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional, regional ou local. Atualmente, a Prova Brasil realizada pelo MEC faz um diagnóstico por escola.
•Tem a finalidade de orientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas.
Avaliação de Sistema III
•Os dados obtidos pela avaliação de sistema devem ser levados em conta pela escola quando avalia o aluno individualmente.
•A avaliação de sistema é feita tendo em vista obter informações que permitam melhorara a qualidade do processo ensino e aprendizagem como um todo.
Avaliação de Sistema IV
•A avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização, autonomia), com o projeto pedagógico e com o currículo, que são estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos.
O processo de avaliação na sala de aula
•A concretização da avaliação como uma ação formativa e transformadora pressupõe compreendê-la como um ato intencional, planejado, tendo como referência o aluno,
seus conhecimentos, suas necessidades articuladas às metas e às expectativas de ensino e aprendizagem.Apresentando um conceito de avaliação que seja ético
•A avaliação com vistas a uma educação de qualidade deve cumprir papel educativo, ou seja, tornar a pessoa consciente da realidade presente e futura, portanto, precisa ultrapassar a perspectiva puramente quantitativa.
Avaliar em termos qualitativos ultrapassa amplamente a simples medida, a constatação de dados, para projetar num julgamento em função de uma tarefa comparativa.•Enquanto a avaliação de sistema incide sobre resultados, a avaliação na sala de aula primordialmente se preocupa com o processo ensino e aprendizagem.•Entretanto, tanto num caso como no outro são observadas quatro etapas, a seguir enunciadas:
Etapas Clássicas da Avaliação
•Levantamento de informações;•Análise das mesmas;•Processo de tomada de decisão;•Comunicação dos resultados da avaliação aos alunos, durante o processo e ao final de cada etapa.
Processo Intencional e Planejado
•Uma avaliação intencional e bem planejada requer:•Instrumentos e estratégias que:1) ofereçam desafios, situações-problema a serem resolvidas;2) sejam contextualizadas, coerentes com as expectativas de ensino e aprendizagem;3) possibilitem a identificação de conhecimentos do aluno e as habilidades por ele empregadas;4) possibilitem que o aluno reflita, elabore hipóteses, expresse seu pensamento;5) permitam que o aluno aprenda com o erro;6) exponham com clareza o que se pretende;7) revelem claramente o que e como se pretende avaliar.Finalidade da avaliação•Na perspectiva de um processo de avaliação que seja ético, ou seja, justo e responsável, deve se acentuar o caráter educativo da avaliação, ou seja, considerá-la como um meio de revisão das ações docentes, práticas de ensino, interaçãocom os alunos, de modo a que se tomem decisões com maior conhecimento de causa.
•Desse modo, a avaliação deve ser compreensiva e global do processo ensino e aprendizagem.•Democrática: os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar.•Auto-avaliação: mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação análise-reflexão-planejamento, em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho, 1994).Fatores que devem ser levados em conta na avaliação do professor.•Disponibilidade, organização, utilização dos recursos materiais e didáticos, incluindo instalações e equipamentos;•Critérios de organização de turmas, horário de aulas e distribuição de disciplinas;•Ações de formação continuada de professores, funcionários e pedagogos;•Encontros e reuniões de professores;•Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação, conforme o nível de ensino atendido;
•Atividades administrativas e de apoio pedagógico-didático ao professor (Libâneo, 2005).
A construção de um referencial
•A avaliação enquanto atividade inerente ao processo de desenvolvimento do currículo coloca para a escola a realização das seguintes tarefas:
-Construção de um referencial com o qual se compara o resultado obtido;
-Construção de instrumentos para coleta de informações;
-Aplicação dos instrumentos;
-Comparação das informações obtidas com o referencial construído (Palma, 2005, p.101)
O projeto curricular•Cumpre três finalidades:
-Aumentar a coerência da prática pedagógica;-Melhorar a competência docente e gestora da escola;-Adequar ao contexto da escola as orientações emanadas da administração central: CF, LDB, PCN, diretrizes curriculares etc.
Projeto curricular
•Decisões a serem tomadas:
-O que ensinar (expectativas de aprendizagem de cada ciclo);-Quando ensinar (seqüenciaçãodas expectativas e dos conteúdos).
-Como ensinar (são as estratégias de ensino);
-O que , como e quando avaliar. Deve-se também decidir sobre os critérios para promoção dos estudantes;
-Medidas de atenção especial.Projeto Curricular: a relação com a avaliação
•Nos PCN, esta relação se apresenta como:
-O ajuste e a orientação daintervenção pedagógica paraque o aluno aprenda da melhor forma;-Obtenção de informaçõessobre o que foi aprendido e como;-Reflexão contínua peloprofessor sobre sua práticaeducativa;
Avaliação do progresso dos alunos, que implica em conhecersuas necessidades oucapacidades, julgar seus avançose indicações para prosseguimentode estudos (avaliação formativa);Avaliação tendo em vistamelhorar o ensino, ou seja,refletir sobre a adequação equalidade dos materiais
didáticos, a utilidade e eficáciadas estratégias de ensino, aorganização e a seqüência dosconteúdos de ensino.Avaliação das condições defuncionamento da instituiçãode ensino: dias letivos,ausência dos professores,condições de funcionamentodos diferentes equipamentosescolares etc.;Avaliação dos aspectosrelacionados com a política eadministração do sistemaescolar, como por exemplo:qualidade da educaçãooferecida pela escola,desempenho profissional dopessoal docente e técnico-administrativo etc.;Estar atento à diversidade, ouseja,considerar não só ascapacidades intelectuais e osconhecimentos de que o alunodispõe, mas também seusinteresses e motivações.
Lei Federal 8.069, de 20/07/1990
Estatuto da Criança e do
Adolescente
Art. 53 –A criança e oadolescente têm direito àeducação, visando ao plenodesenvolvimento de sua pessoa,preparo para o exercício dacidadania e qualificação para otrabalho, assegurando-se-lhes:
•I –igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola;•II –direito de serem respeitados por seus educadores;•III –direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
•IV –direito de organização e participação em entidades estudantis;•V –acesso àescola pública e gratuita próxima de sua residência.
•Parágrafo único. Édireito dos pais ou responsáveis terem ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.
Fracassados aos sete anos?
“Um terço dos estudantes brasileiros da 1ªsérie do Ensino Fundamental, em 2003, foi reprovado ou abandonou o sistema escolar. Reiniciaram seus estudos, novamente, na 1ªsérie, em 2004. Essa éuma das principais medidas do fracasso escolar no Brasil.
O número éalarmante tanto pela sua dimensão quanto pela exclusão social provocada. A reprovação representa um enorme custo para o Estado e para a sociedade. Custos econômicos e humanos. O fracasso, anunciado por uma reprovação ou pelo abandono, éuma porta de entrada para a exclusão social.
De forma simbólica, os estudantes estão sendo informados da sua inaptidão para o aprendizado.
Diversos são os fatores associados ao desempenho escolar e ao seu fracasso ou sucesso. Alguns estão situados no âmbito da escola e outros dizem respeito àvida econômica e social dos estudantes. As instituições de ensino podem contribuir para o sucesso oferecendo bons recursos pedagógicos, docentes e gestores com boa qualificação técnica e, ainda, quando mobilizam os recursos para o objetivo da aprendizagem. Évital um projeto pedagógico explícito para a formação dos estudantes
que seja ao mesmo tempo comprometido com conteúdos e com o envolvimento significativo dos alunos. Fatores relativos àvida extra-escolar dos alunos impactam no aprendizado.
O contexto familiar do qual a criança se origina, a escolaridade dos pais, a valorização que a família atribui àescolarização, a preocupação com a boa trajetória dos filhos, o acompanhamento dos estudos e a participação efetiva na vida escolar dos estudantes são elementos centrais para um aprendizado proficiente.Uma análise do perfil das crianças reprovadas mostra que elas estão freqüentando a escola pela primeira vez, são oriundas de lares com poucos recursos, seus pais têm pouca escolaridade, não têm acesso a livros, computadores e internet.São meninos e meninas pertencentes às famílias mais pobres do País.
Os dois conjuntos de fatores devem ser considerados na explicação para as altas taxas de fracasso no início da escolarização. Tais fatores podem e devem ser melhorados. Para isso, deve-se deixar de atribuir aos alunos a culpa pelo fracasso. Crianças de sete anos de idade não deveriam ser reprovadas e, muito menos, expulsas do sistema.Para esses mais de 30%, a escola deve estar preparada para reverter o quadro. Ela deve ter condições de identificar as crianças com dificuldades de aprendizado e encaminhá-las para receber um atendimento adequado. De maneira geral, a maioria das crianças não tem dificuldades de aprendizado.Os motivos predominantes do fracasso são outros. Dizem respeito àqualidade do ensino, em especial, nessa fase, àalfabetização. Para a imensa maioria das crianças que ingressaram na escola na primeira série éincontornável a necessidade de passarem por um programa de alfabetização.Devem aprender a ler e começar a aprender a escrever. Devem ser expostas a habilidades necessárias, tais como decodificar as letras e ler as palavras e os primeiros textos com fluência. Os seus docentes devem estar convictos da necessidade de uma pedagogia explícita para a alfabetização
Essas são medidas necessárias para reduzir o imenso contingente de ‘fracassados’. Se adotadas, a maioria das crianças, antes destinada a receber o boletim escolar manchado pela reprovação, estaráaprovada, melhor, estaráalfabetizada, a caminho do letramento.”
(Carlos Henrique Araújo e NildoLuzio)
www.inep.gov.br/imprensa/artigos/artigo-02-05.




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